domingo, 19 de julho de 2015
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
DESTRUIÇÃO ORGANIZADA DE PAISAGEM

O Ilhote da
Cobra já não existe. Não sei porque lhe chamavam assim. Devo ter algum tio que
ainda se lembre. Mesmo para mim, o ilhote sempre me pareceu exótico. Muitas
vezes caminhei pelo sapal em redor, e sempre o olhei com espanto. Uma dezena de
casas ali, numa escassa areia rodeada de lama e arbustos salinos. De um lado, a
Praia de Faro e a Ilha Deserta, e o acesso ao mar. Do outro o entrançado de
canais que leva à cidade e à Ilha do Farol.
Para mim, o Ilhote
da Cobra, com as suas casas brancas ali plantadas no meio da ria, não era
somente parte da paisagem, era também uma espécie de herança anónima, fazia
parte de uma memória colectiva. Ali viveram pessoas. Há uma história de vida
marítima ligada ao lugar, àquelas casas. O Ilhote da Cobra, não é o Ilhote da
Cobra sem as suas casas, sem os seus vestígios humanos. A demolição das casas
no Ilhote da Cobra, implica a demolição de um registo cultural. As demolições
nas ilhas barreira da Ria Formosa são a evidência física dessa destruição.
Mas nenhuma
cultura desaparece sem que outra, emergente, tente se sobrepor. Neste caso
concreto, é uma cultura higienista, a da preservação e da renaturalização, que,
de tão humana, é perversa. Transporta em si uma razão retrógrada, uma queda
para trás de querer ser tão à frente. Esta cultura entende a Ria Formosa sem os
seus homens, sem os seus vestígios, uma coisa limpa e estetizada. Vê no acto de
subtrair à Ria os seus homens, uma forma de preservar essa experiência cultural,
à qual se sobrepõe. Retirar os homens da Ria à Ria, é artificializar a Ria.
Será certamente feito um museu, um dia, para acabar de vez com tudo.
O conceito de
renaturalização é simplesmente um desastre, uma ofensa gravíssima à minha
integridade. Renaturalizar é a práctica camuflada do resort. Mas é também um buraco negro asqueroso desta cultura, que
tudo arrasa e devora, rebuscando eternamente os seus disfarces. A
renaturalização não implica só demolições, implica também a eliminação de
diversas espécies vegetais, trazidas pelo homem, como por exemplo a árvore com
mais de 30 anos que tenho aqui à frente de casa. Gostava de saber se têm algum
plano de contenção para os melros, que nos últimos anos têm vindo com mais
frequência aqui nidificar. E já agora muito boa sorte com a remoção do chorão-das-praias.
Assim como não
há uma Ria com homens e outra sem homens, não há um Ilhote da Cobra com casas e
outro sem casas. A destruição física do Ilhote da Cobra (resta apenas o lugar higienizado), implica a destruição
do seu imaterial. A organização que propõe repor assegura a destruição.
Como disse um
amigo meu, “renaturalizar é pôr como estava antigamente”. Mais simples do que
isto é difícil. Tentar pôr uma coisa como ela estava antigamente é, fundamentalmente,
fascista. Num mundo em mudança veloz e constante, que esforço é este para "pôr
coisas como elas estavam antigamente"? E que rara entrega é esta à impossibilidade?
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
WIKIFÓDIA
Características gerais do ultrarromantismo[editar | editar código-fonte]
- liberdade criativa do humano superior (o conteúdo é mais importante que a forma; são comuns deslizes gramaticais);
- versificação livre;
- tédio constante, morbidez, sofrimento, pessimismo, negativismo, satanismo, masoquismo, cinismo, autodegeneração;
- fuga da realidade(escapismo, evasão);
- desilusão adolescente;
- idealização do amor e da mulher;
- subjetivismo, egocentrismo;
- saudosismo (saudade da infância e do passado);
- consciência da solidão;
- obsessão pela morte: fuga total e definitiva da vida, "solução para os sofrimentos"; sarcasmo, ironia.
Ver também[editar | editar código-fonte]
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
ESTADO INVOLUNTÁRIO

ISIS NOBEL CÃO
É BOLA
APOIA A POIA
SACODE A BUNDA
LAMBE NO MAÇO
AL COME FACE VIA
VERDE DOMURAL
NEM DÊSCARNE
A OSSIVILIZAÇÃO
CAIM CAIM
NO BAR BARBIE
MANÓ NUM MÓ
XIRIBIRIBARÁBÊRÉ
MÊ CÚ MÊ CÚ
TÓ TÓ TÓ PÁ PÁ PÁ
PÓ PÓ PÓ CÓCÓ É CÓCÓ
AH!!!!!!!! H
NÃO ARREGA MANHA
CAR CÁS BA UNSA
NA SANHA NÃ MONHA
E S'MONA NÃ LISA
MASCAPOU-LHE A FRASEFEITO
AO D CUIDADO DA D BOSTA
NA NÁUSEA NEXTERIOR
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
bita-bita-bita-biiita toma

Isto, ninguém tem mais nem menos
do que aquilo que merece. A malta fala, fala, mas quando a coisa aperta enfia a
vozinha entre as nalgas e lá segue c’a sua vidinha. Ai os dirigentes são uns
filhos-da-puta? Ai os governantes são uns pantomineiros, uns palhaços, com o
mesmo nível de intelecto que uma alface? Ai é? Chupa e embrulha, leva p’a casa
e dá-lhe de comer. Vai ver novelas e big brothers e debates em canais de
notícias informativos com políticos de renome. A merda raleira que escorre
pelos telejornais desta vida afora entra-te por um ouvido, ensaboa-te os neurónios à
liberdade de expressão, e sai-te pelo outro, sem dor, e pior, sem nada, nem uma
gota de sangue ou de pus. E é isto e isso mesmo que a malta merece: coceguinhas
na roupa interior da cidadania, manifestações ordeiras do respartalho democrático, e uma ligeireza muitíssimo tu-tu-guêsa de
acatar servilmente as boas notícias: a Miséria Mínima Salutar Nacional (o
MMS-N), segundo os diversos parceiros do gangbang,
vai aumentar, e este é um momento históico,
e deve ser sublinhado, em 20 eu’rus. Segundo o serviço público, vai dar
para mais uma bica por dia ou o que é, e poder-se-á comer um pastel de nata a
mais em fevereiro que tem menos dias, ou assinar um canal de televisão para
poder ver umas séries. 6x3, 18, 9’s foda nada, é fazerem as contas e chegar à
conta de cerca de 0,60 eu’rus por dia, que dá para cometer diversas loucuras,
enfim é só escolher: bica, pastel de nata em fevereiro ou séries, basicamente.
E upa-upa, vozinha enfiada entre as nalgas, que isto com mais cerca de 0,60
eu’rus por dia já ninguém me xeringa. Não restem dúvidas: a malta tem aquilo
que merece, e a malta nem o CR7 merece. O CR7 devia ser espanhol ou alemão,
como tudo o resto que a tu-tu-lândia teve na vida, como por exemplo o Colombo
e/ou o mapa cor-de-rosa ou a galinhola. Isto sim, tu-tu-galo, jardim à
beira-mar plantado, nunca fizestes tanto sentido. As putas das vivendas nas
falésias, os campos de golfe verdejantes, e esse azul que não é o azul dos
poemas nem o azul do mediterrâneo junt’ao azul do atlântico, mas o azul azul
que já não se sabe bem o que é mas que tem triziliões de produtos naturais
endémicos. YES! AYE! BEWARE NEW COMER: NÃO HÁ UMA PUTA DE UMA TERRA NESTE
CABRÃO DESTE PAÍS QUE NÃO TENHA UMA FILHA-DA-PUTA DUMA MERDA QUALQUER
COMPLETAMENTE TÍPICA E REGIONAL QUE NÃO SE FAZ EM MA LADE DENHUM!
Regionalização está na televisão em vertente de fantasma: a broa d’avintes nem
se compara ao folar de olhão. Boa! Fantástico Melga! Exposição do mundo
português? E para quando uma dissecação do mundo português? Para quando uma
exposição de frascos com ideias e cabeças em formol ao lado dos fetos e das
freakalhices no museu da faculdade em coimbra? A propaganda salazarista é que
não fazia a puta da ideia do que é que são 6 horas a encher chouriços em
directo aos domingos à tarde no inverno, a fazer milagres para dar à malta o
que malta merece, e aí sim é que se via, de uma vez por todas, que o 25 de
Abril é exactamente aquilo que é: 6 dias antes do 1 de Maio, aquela data que
comemora o trabalhador. VIVA! VIVA! VIVA O TRABALHADOR! VIVA O TRABALHADOR E O
SEU AUMENTO DE CERCA DE 0,60 EU’RUS POR DIA! VIVA! VIVA! O trabalhador tem
aquilo que merece: o seu patrão. O patrão tem aquilo que merece: o seu
trabalhador. Há muitas mamas e cus que têm exactamente o silicone que merecem.
O mundo não é um lugar perfeito? Deixei de ser parvos: nem os colhões do cura,
ainda por estrear e tude.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
terça-feira, 3 de junho de 2014
sábado, 31 de maio de 2014
diário de bordo
não há mais nada para dizer
já nem o cuspo cola
a areia resume-se ao incontável
e que sobra dessas horas de voragem?
onde é que está o mar que pensámos prometido?
que barqueiro virá? que moedas lhe daremos?
queremos dar a volta subir passar para outro lado
agarrar a besta de novo e novamente
queremos inventar um pó que nos suje outra vez as mãos
como sempre
que faremos agora que encostamos a faca
à garganta de todos os monstros sagrados
e nada mais resta além da pornografia
que faremos com este calor
de onde nada nos salva
e todos os cães são de guia
que faremos amanhã quando rebentarmos de prazer
quantas interrogações ficaram por pontuar
e que pontuações nunca interrogaremos
podemos falar de casas e de paisagens
da solidão que vive dentro dos objectos ordinários da vida
branquear a memória sem levantar suspeitas
crivar toneladas de literatura
e depois disso
que podemos
nós?
***
uma corrente sem direcção
um acontecimento sem acontecer
um nome sem uma coisa para lhe dar
um significado sem significar
um narciso sem reflectir
um panteão por adorar
uma celebração sem vinho
histórias que ninguém vai lembrar
um amor pouco dado
uma flecha nunca disparada
uma jóia muito trabalhada
enterrada no túmulo de um qualquer rei
uma alegria que não causa alvoroço
vai guardada na profundidade de um bolso
uma tristeza que faz meio mundo chorar
plantada no sono de quem se recusa dormir
e não tem fim
***
o peixe da minha vida
podemos sempre ir mais fundo
atravessar todas as coisas que não se julguem nossas
podemos continuar a tocar todas as manhãs
como se a música nunca tivesse acabado
podemos dançar
entregar tudo ao livre movimento
nunca impedir que a água corra
por onde a água tiver que correr
podemos flutuar
deixar que o corpo se levante
e deixar
simplesmente
que a coreografia aconteça
desse sonho tão querido tão desejado
enfim nos libertemos da lei da gravidade
e apenas ser
toda a virtude que é amar
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